TOPICOS DO LIVRO
“SINTA DOR MAS NAO SINTA MEDO”
“OBSTACULOS- NUM VIU NA OLIMPIADAS COMO ELES FAZEM???? VAI DESISTIR????”
“SUPINOCRACIA- SO OS MAIS FORTES AGUENTAM”
“TA BOM??? AUMENTA ESSE PESO- VITORIAS PESSOAIS E CONQUISTAS”
E MUITO MAIS!!!!!
Alexandre canta um dos classicos dos anos 2000 com uma imitação sensacional da voz de Scott Stapp!
Ohalexandre- W/ Arms Wide Open by Karaoke Downers
O twitter oficial da fera é ———————->@ohalexandre
A história começa com Soninha e eu transando na cama dela. Na verdade não é uma cama, é só um colchão que repousa diretamente no chão de tacos do apartamento. O que mais me surpreende é o cheiro de Soninha, um cheiro de banho tomado depois de uma caminhada na chuva, um cheiro bom.
“Eu gosto de apartamento antigo, é mais espaçoso, pé direito alto” ela diria depois, ainda nua, mas coberta com um leçol, enrolando um baseado enquanto eu tento abrir a persiana de madeira - daquelas pesadas, que a gente ainda vê em apartamentos com esquadrias de ferro, não essas porcarias de alumínio que são vendidas hoje em dia.
Fumamos enquanto assistíamos Programa Silvio Santos, ela ri quando as calças do Silvio caem. Soninha tem o rosto cheio de sardas e um sorriso bonito, acho que estou apaixonado por ela.
Ela desliga a televisão quando começa o concurso de transformistas. “Acho deprê”, ela diz.
“Tô com fome, vamos comer alguma coisa?” Minutos depois, estou andando de bicicleta pela primeira vez em muito tempo. Soninha vai na frente, pedalando num compasso preciso, mas gracioso, segurando o guidão com firmeza. Ela veste um casaquinho azul-marinho comprado num brechó em Berlim, cachecol vermelho, uma calça jeans que deve ser da época em que ela fez aquela propaganda pra Cultura Inglesa em que um rapaz diz lembrar-se dela ao ouvir uma música que dizia “you are so easy baby, I’m just using you”. Olho para os cabelos curtos dela balançando ao vento e penso nos Commodores: easy like a Sunday morning. Ela de vez em quando olha pra trás e grita “vamos!” eu dou de ombros, como querendo dizer que estou fazendo o melhor que posso. Ela ri quando entramos na rua do Apfel e eu perco o controle da bicicleta e quase caio, a Bela Cintra é muito íngreme. “Quantos anos faz que você não anda de bike?!” Ela sempre chama bicicleta de bike. Eu faço uma cara de macho que teve o orgulho ferido, ela sabe que é brincadeira, mas mesmo assim me dá um beijo, coloca as mãos na minha nuca e encostando minha testa na dela, pede desculpas baixinho. Eu olho dentro daqueles olhos cor de ferrugem e por uma fração de segundo vejo uma tristeza profunda.
Comemos em silêncio, meu prato um caos ovolactovegetariano, o dela organizado em pequenas porções de sabores que se complementam. Pergunto se ela quer dividir um pedaço de strudel, ela diz que adora “apfel-sh-trudel”.
Voltamos pra casa dela e nos abraçamos no futon da sala, rodeados por samambaias, escutando um disco de vinil do Gilberto Gil. Ela me abraça e começa a chorar. “Meu filho… ele tá com problema de drogas”. Que barra Soninha, que barra.